Guardadas as proporções – e inclua nisso a das modelos – o Fashion Weekend Plus Size é como uma semana de moda do calendário brasileiro. Em sua segunda edição, com 20 marcas no line-up, o evento teve início ontem (23/07) e terá seu término hoje, em SP. Lá não são as grandes grifes que desfilam, e sim as que fazem roupas em tamanhos grandes. Por isso mesmo, não existe a pretensão de lançar ou seguir tendências, o que faz com que a moda que se vê ali seja comercial e ponto. “A moda de tamanhos grandes não está organizada como a outra, em coleções apresentadas por temporada. Tive até que deixar de fora grandes nomes do varejo, e chamar os de atacado, pois muitos não tinham suas próximas coleções prontas”, explicou Andrea Boschim, topmodel plus size e uma das que organiza o evento, junto com Renata Poskus Vaz.
As medidas do FWPS são todas diferentes: não há uma modelo sequer que use uma calça tamanho 36, que é a medida para muitas do SPFW. A única coisa com esse número lá, aliás, é a quantidade de modelos do casting, que vão do manequim 44 ao 52. Essa enorme variação entre a numeração das modelos ajudou Blog LP a constatar uma coisa: plus size é um conceito bem flexível. E isso só reforça o que elas acreditam que seja um modelo de mulher. Bianca Raia, que integra o grupo das tops, diz que o grande lance das modelos plus size é que elas não têm um padrão a ser seguido. “Uma aqui tem mais quadril, outra tem mais busto. É como na vida real”, definiu. Isso, sem contar a idade das modelos plus size, que é consideravelmente maior do que a das “modelos magras”, como as diz. Se for comum encontrar modelos de 14 anos em agências renomadas no meio fashion, lá foi difícil encontrar uma com menos de 25. “Todas aqui estudaram, completaram a faculdade, são mais inteligentes e maduras do que as outras”, completou Bianca.
Pra elas, é bem melhor ser gordinha do que magra. Celina Lulai começou sua carreira de modelo aos 13 anos, bem magra, mas sem muito sucesso. “Engordei, engordei, engordei e achei que nunca mais ia trabalhar”, contou. Hoje em dia, com 20cm a mais de quadril, é uma das topmodels brasileiras plus size. Outra modelo bem sucedida? Simone Fiuza. Jornalista formada teve que abandonar a profissão em nome da carreira de modelo. É a demanda (e a maior facilidade pra pagar suas contas) que o novo ofício lhe deu. “Só essa semana, tenho trabalho todos os dias, de modo que só vou parar na próxima quarta-feira”, disse, bem resolvida. E não existe nada nesse mundo que a incomode sendo modelo plus size? “Fazer trabalhos com as modelos magras. Já perdi a conta de quantas vezes não me perguntaram num backstage se eu era a camareira ou a dona da grife”.
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